Untitled Document
 PÁGINA PRINCIPAL
 JOSÉ PETITINGA
 HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO
 ÓRGÃOS DIRETIVOS
 PROJETOS
 EVENTOS
 GALERIA
 ACERVO FEEB
 LOCALIZAÇÃO
 ENTRE EM CONTATO
          JOSÉ PETITINGA

JOSÉ PETITINGA - ou José Florentino de Senna, seu nome original - nasceu num domingo, às 12 horas, na fazenda “Sítio da Pedra”, margem direita do rio Paraguaçu, termo de Monte Cruzeiro, Comarca de Amargosa, no Estado da Bahia, em 2 de dezembro de 1866. Era filho de Manoel Antônio de Senna e Dª Maria Florentino de Senna.

Muito moço ainda, aos 11 anos, em 21 de agosto de 1877, mal terminara seus primeiros estudos, feitos no torrão natal, abraçara a carreira comercial, empregando-se na "casa de drogas e ferragens" de Francisco Torquato Barreto, na cidade de Nazaré, onde, pela revelação de seu grande talento e esforço, foi logo escolhido para o serviço de escrita. Em 1º de agosto de 1895, assumiu a função de guarda-livros da “Empresa Viação do São Francisco”, cargo que exerceu até 1912.


 

O revolucionário republicano e abolicionista


Desde jovem, tomou parte ativa nos movimentos cívicos e políticos do Abolicionismo e da República, batendo-se por essas duas causas nos jornais da época, o que logo lhe granjeou justificada notoriedade.

Afirma Zêus Wantuil:

“Seus patrões, entretanto, altos comerciantes dessa praça, não gostaram dessa notoriedade; censuraram o jovem idealista que – diziam –, assim, comprometia seu trabalho e colocava mal a firma, a qual – dizemos – era composta de autênticos monarquistas carunchosos e reacionários".

Sendo criticado por seus adversários monarquistas, um deles teria se referido aos seus artigos de uma forma pejorativa, dizendo que o autor daquelas idéias não passava de um “petitinga” (peixe de água doce, sem muito significado na região). Para poupar os seus patrões e poupar-se a si mesmo, o jovem panfletário começou a colaborar na imprensa sob o pseudônimo de Petitinga, pelo qual passou a ser conhecido por todos os seus conterrâneos. Assim, resolveu adotá-lo como sobrenome, em substituição a “Florentino de Sena”, fazendo, para tanto, declaração pública em cartório. Dotado de sólida cultura geral, orador exímio, beletrista incomparável, zeloso cultor do vernáculo, a ponto de merecer de CESAR ZAMA, político latinista e orador bahiano, a seguinte afirmação: “na Bahia, em conhecimentos de Latim, eu, e de Português, o Petitinga”.



O jornalista


Estreou na imprensa no jornal 7 de Janeiro, que se editava na heróica e legendária cidade de Itaparica. Colaborou ainda nos jornais: O Regenerador, da cidade de Nazaré, Gazeta de Amargosa, O Duende, Tentâmen, Gazeta da Tarde, Cidade de Juazeiro, Palinuro, Crisálida, Correio de Alagoinhas, Folha de Juazeiro, Diário da Bahia, e foi fundador do jornal A IDÉIA. No Republicano, salientou-se como destemido batalhador e defensor das idéias republicanas. Destacou-se como colaborador do semanário D’A Cidade de Juazeiro, fundado por Raymundo Azevedo e lançado em 1º de maio de 1896 e do Correio de São Francisco, dirigido pelo Cel. Jesuíno Inácio da Silva, quando Juazeiro comemorava, festivamente, o aniversário do advento da República.



O Poeta



Aos vinte anos, dava a público o seu primeiro livro de poesias, denominado Harpejos Vespertinos, seguido, mais tarde, de Madressilvas e Tonadilhas, obras que mereceram grandes elogios de vários jornais, até mesmo o República Federal e o velho Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, que considerou Tonadilhas o melhor livro de versos publicado naquele ano, em todo o Brasil.



A transformação


Proclamada a República, vendo deturpados os ideais democráticos pelos integrantes do governo, o seu calor e entusiasmo pelas coisas pátrias sofreram grande transformação. Retirou-se para o labor da sua profissão, o lar da família, os encantos da sua biblioteca e para os ensinamentos espíritas, aos quais desde então se dedicou plenamente, o que também concorreu para a modificação do seu arrebatado temperamento de jovem.

Viajando, certa vez, a bordo do navio que fazia a linha regular Salvador/Nazaré, notara que o seu amigo, Dr. Flávio Guedes de Araújo, absorvia-se totalmente na leitura de um livro. Curiosamente, aproveitando-se de uma pausa que o amigo fizera na leitura, pôs-se a folheá-lo, quando o amigo, surpreendendo-o, indagou se ele também gostava do assunto ali versado, desenrolando-se assim o seguinte diálogo: – Que é isto? É o “Livro dos Espíritos”; – Essa coisa que faz malucos? Pois, como sentença, você vai lê-lo todo, durante o resto da viagem...


Após a leitura de “O Livro dos Espíritos”, Petitinga iniciou um período de estudos e perquirições sobre a doutrina, revendo seus conceitos e seus ideais. Com a leitura dos livros espíritas foi mudando substancialmente sua visão da sociedade, de si mesmo e do outro, levando-o a criar o “Grupo Espírita Caridade”, na cidade de Juazeiro e um abrigo com seis casas para acolher os necessitados.



O Apóstolo da Unificação


Chegando em Salvador, por volta de 1912, reviveu em sua residência o Grupo Espírita Caridade, participou do Centro Espírita Religião e Ciência, primeira organização federativa do Estado, fundada em 15 de agosto de 1897 e criou com outros companheiros, a União Espírita Bahiana, em 25 de dezembro de 1915, inspirada nos ideais federativos da Federação Espírita Brasileira. Para tanto, Petitinga, pacientemente, percorreu com seus pares, os vários grupos espíritas existentes em Salvador, convocando a todos a participarem da criação de uma instituição de caráter federativo, tendo em cada visita sensibilizado os companheiros a aderirem ao empreendimento.

Ele chamou de “reuniões de peregrinação”, que começaram no dia 03 de outubro, em homenagem a Kardec, que tiveram o objetivo de consolidar os ideais que fundamentavam a necessidade da criação da nova casa, culminando, em 25 de dezembro, com a fundação da União Espírita Bahiana.

Depois, durante o primeiro ano, continuou realizando as reuniões em cada grupo espírita, buscando cada vez mais estreitar os laços de fraternidade e divulgar as idéias de unificação do movimento espírita. Em 1920, com muito esforço e dos demais companheiros, adquire a sede própria da União, Largo do Cruzeiro de São Francisco, então nº 12, Pelourinho. Permaneceu na presidência da instituição, até 1939, por insistência de todos, pela reconhecida magnitude de seu trabalho e pela lisura com que conduzia a Casa.



A despedida


No dia 12 de março de 1939, já septuagenário, estando “em plena atividade na sua cátedra doutrinária, na União Espírita Bahiana – cátedra por ele honrada e ilustrada de muitos anos – foi acometido de mal súbito. Transportaram-no ao leito, de onde não mais se deveria erguer, em corpo, para indubitável e, maiormente fazê-lo em espírito”, em 25 de março de 1939, sábado, por volta das 4:30 horas da madrugada, assistido por sua esposa Maria Luiza Petitinga e seus filhos. O Diário de Notícias, de 27 de março de 1939, assim comunicou, oficialmente, o desencarne de José Petitinga:


“Foi extraordinariamente concorrido o enterro, anteontem, do sr. José Petitinga, diretor da Companhia Progresso e União Fabril da Bahia S. A e presidente da União Espírita Bahiana.

O comm. Bernardo Catharino, presidente daquela Companhia, logo que teve conhecimento do lutuoso acontecimento, determinou o fechamento de todas as fábricas e suspendeu o expediente do escritório central, oferecendo vários ônibus para condução dos operários, sendo depositadas, em nome da direção, do operariado e do pessoal do escritório, várias capelas de flores naturais.

A firma Moraes & Cia., também se associando às justas homenagens prestadas à sua memória, encerrou ao meio-dia o seu expediente, tendo os seus sócios e auxiliares comparecido ao enterramento.
Além dos vários vultos do comércio e da indústria, esteve igualmente presente a diretoria da União Espírita da Bahia, tendo falado ao sair do féretro o sr. Manoel Miranda e á beira do túmulo o sr. Paulo Alberto.

O acompanhamento de carros e marinetes foi numerosíssimo e ainda maior o número de capelas, palmas, ramos de flores naturais, etc. Era o extinto, casado em segundas núpcias, com a sra. d. Maria Luiza Petitinga, existindo do primeiro consórcio os seguintes filhos: Archibaldo Petitinga, Astrogildo Petitinga, Alice Petitinga e Antonieta Petitinga, estas, casadas, respectivamente, com os srs. Augusto Rodrigues da Silva e Manoel Rodrigues Nascimento, havendo vários netos.

O morto, que era entre nós, principal vulto do espiritismo, a cuja doutrina se dedicava de corpo e alma, possuindo neste sentido valiosíssima e importante biblioteca, era, ainda, poeta apreciável e grande conhecedor da língua portuguesa, tendo colaborado, em tempo, na imprensa bahiana e foi abolicionista e republicano fervoroso. Grande parte da sua vida passou na Viação do S. Francisco, na qual exerceu vários cargos importantes, até o de diretor da mesma”.



A imortalidade


Petitinga continua trabalhando em prol de seu crescimento e da iluminação de consciências, tendo páginas psicografadas através de médiuns, entre eles, Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco.



Do Livro José Petitinga - O Apóstolo da Unificação

Autor: Archibaldo Petitinga Filho

Largo do Cruzeiro de São Francisco, nº. 08 – Centro Hitórico - Pelourinho.
CEP:40.020-380 - Salvador –Ba,  Tel. (71) 3321 4703
E-mail: fjpetitinga@yahoo.com.br